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Celeiro de artesãos, o município de Tracunhaém, localizado na Zona da Mata pernambucana, oferece à comunidade local e a interessados de todo o mundo a arte de Ivo Diodato da Silva. O herdeiro da potente tradição ceramista do local ganhou ainda mais visibilidade em 2019, quando recebeu o Prêmio Culturas Populares – Edição Teixeirinha, concedido pelo Ministério da Cidadania.

Esculpindo o barro há mais de 40 anos, Diodato conta que o prêmio o motivou a continuar criando. “Fazer um trabalho, concorrer com muita gente de todo o Brasil e, entre essa multidão, ser selecionado, é uma coisa espetacular. É uma experiência muito valiosa, que vem só enriquecer a nossa vida como artesão e como artista. É um oxigênio que nos motiva a aperfeiçoar mais o nosso trabalho e a nos direcionar para o que a gente está buscando”, diz o artesão.

Com os recursos recebidos pela premiação, ele conta que pretende modernizar seu ateliê. A ideia é oferecer oficinas e facilitar o acesso do público e de estudantes ao trabalho desenvolvido. “O prêmio me encheu de motivação para seguir trabalhando e fazer o que eu venho fazendo, com oficinas nas escolas, nas cidades em que eu fui convidado a trabalhar com crianças, deficientes também. É uma forma de fazer desse prêmio um multiplicador de momentos e de oportunidades para muitas pessoas”, afirma.

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A formação está no cerne da carreira de Diodato e ele sabe o valor da transmissão de conhecimentos nessa área. “Eu comecei com 10 anos, trabalhando no ateliê do Mestre Zezinho”, conta, referindo-se ao também mestre artesão Zezinho de Tracunhaém, um dos responsáveis por manter a tradição ceramista na região. A partir das técnicas aprendidas com o mestre, Ivo começou a desenvolver seu próprio trabalho ainda adolescente, aos 15 anos. “Eu fui me aprimorando e fui começando a trabalhar nos anos 80”, comenta ele.

Na época, foi veiculada a telenovela “Coração Alado”, cujo personagem principal, Juca Pitanga, era um artesão nordestino que migrava para o Sudeste brasileiro em busca de novos horizontes. Era a oportunidade que seu Diodato e outros ceramistas precisavam para divulgar sua arte com mais amplitude. Além de criar uma escultura com o nome do personagem, interpretado por Tarcísio Meira, Diodato elaborou uma série de cerâmicas inspiradas nesta narrativa.

Já nos anos 2000, o artesão buscou nova inspiração para o trabalho, dessa vez no Romantismo e Modernismo brasileiros. Algumas peças foram batizadas com nomes de personagens do romance O Cortiço (1890), de Aluísio Azevedo, e outras receberam pés grandes e cabeças pequenas, além de rostos sem definição, tais como as figuras pintadas pela modernista Tarsila do Amaral.

Prêmio Culturas Populares

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Em 2019, foram agraciados 150 mestres e mestras das cinco regiões do Brasil, e 100 grupos e associações (pessoas jurídicas), sendo duas delas da cota de acessibilidade. Cada premiado recebeu o valor de R$ 20 mil, totalizando R$ 5 milhões em prêmios.

A cada edição, o prêmio é dedicado a um ícone da cultura popular nacional. No ano passado, homenageou o cantor gaúcho Vítor Mateus Teixeira, o Teixeirinha.

Criado em 2007 para fortalecer e dar visibilidade a atividades da cultura popular e tradicional de todo o Brasil, o Prêmio Culturas Populares já teve sete edições, com 2.295 mestres, grupos e entidades sem fins lucrativos premiados. No total, R$ 33,75 milhões foram entregues a mestres e mestras e associações de todo o país. Entre 2013 e 2016, a premiação ficou suspensa e retornou em 2017.

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura


Fonte: Cultura