Jerônimo Francisco Soares, um dos premiados do Prêmio Culturas Populares 2019. Foto: Divulgação

Seu Jerônimo Francisco Soares (84) cresceu entre os versos e rimas da literatura de cordel. Filho do poeta e jornalista José Soares, Jerônimo se agradava com as letras rimadas, mas se encantava mesmo era com as formas que ilustravam as histórias. Foi assim que, aos 10 anos, começou a entalhar desenhos em madeira. E daí surgiu uma trajetória de mais de 70 anos dedicados à xilogravura, um trabalho reconhecido pelo Prêmio Culturas Populares 2019 – edição Teixeirinha, concedido pela Secretaria Especial da Cultura.

“É muito bom receber este prêmio”, disse Jerônimo, emocionado, como se lembrasse os muitos anos de dedicação à madeira. O artista começou ilustrando trabalhos do pai escritor. O talento, a dedicação e a convivência diária com o universo do cordel levaram seu Jerônimo ainda além. A força poética de suas xilogravuras, que retratam as histórias e os modos de vida típicos do nordeste brasileiro, alçaram voo e saíram das páginas dos cordéis. Passaram a ser, por si só, obras de arte.

Como um artista de fato atuante, seu Jerônimo ainda contribuiu com a “xilo” ao aprimorar as ferramentas e técnicas que utilizava. Suas inovações fizeram com que as xilogravuras que produziu sejam únicas, com textura e profundidade diferenciadas. Uma de suas invenções, por exemplo, foi agregar uma base giratória à mesa de ilustração, para conferir maior facilidade na lida com a matriz, permitindo que os cortes na madeira sejam mais precisos.

E se engana quem pensa que após tantos anos desenvolvendo xilogravuras, seu Jerônimo se cansou. No auge de seus mais de 80, ele não pensa parar. Pretende utilizar o valor da premiação para seguir seu ofício. “Eu vou é trabalhar mais”, concluiu, coerente com seu legado.

Prêmio Culturas Populares

Foto: Divulgação

Lançado em 2007, o Prêmio Culturas Populares já teve sete edições, com 2.295 mestres, grupos e entidades sem fins lucrativos premiados, com um total de R$ 33,75 milhões. A premiação ficou suspensa entre 2013 e 2016 e foi retomada em 2017. No ano passado, foram agraciados 150 mestres e mestras das cinco regiões do País, e 100 grupos e associações (pessoas jurídicas), sendo duas delas da cota de acessibilidade. Cada premiado recebeu o valor de R$ 20 mil, totalizando R$ 5 milhões em prêmios para iniciativas que contribuem para fortalecer e dar visibilidade a atividades da cultura popular e tradicional de todo o Brasil.

A cada edição, o prêmio é dedicado a um ícone da cultura popular nacional. Em 2019, homenageou o cantor gaúcho Vítor Mateus Teixeira, o Teixeirinha. Saiba mais no site da premiação.

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura


Fonte: Cultura