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Transformar Garanhuns, localizada no Planalto da Borborema, no agreste pernambucano, em uma cidade leitora. É com esse objetivo que, desde 2014, é organizado o Festival Internacional de Literatura Infantil de Garanhuns (Filig). A partir do apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, o festival chegou à 5ª edição, no último ano, com uma captação de R$ 400 mil.

No mês de outubro, o festival atrai milhares de pessoas para as atividades oferecidas – em 2019, o público reunido no mês foi estimado em 4,8 mil pessoas. E mesmo antes da programação oficial, já no primeiro semestre do ano, a organização promove seminários e oficinas de capacitação para professores, bibliotecários e estudantes de Letras, entre outros.

Segundo a organizadora do evento, Camila Bandeira Santos, da Proa Marketing Cultural, criar o hábito da leitura exige uma ação continuada. “Nós capacitamos os professores, bibliotecários, para que eles também incentivem as crianças a lerem mais. A cada ano, antes do início do Filig, nós distribuímos para as escolas e bibliotecas livros dos autores convidados e também organizamos seminários sobre a temática daquele ano”, conta a organizadora. Segundo ela, a ideia é fomentar a discussão antes do início do festival, para que o público possa aproveitar melhor as atividades oferecidas.

Iniciativas como a Filig, que fomentam a formação de leitores, são considerados estratégicas pelo secretário de Fomento e Incentivo à Cultura da Secretaria Especial da Cultura, Camilo Calandreli. “Quanto mais a lei puder incentivar esses projetos, quanto mais nós pudermos, nós vamos fazer, porque é de interesse nacional que nós tenhamos esses valores traduzidos em leitura, em novos leitores, resgatando a memória do nosso povo, mantendo as suas identidades, fazendo com que isso se perpetue”, afirma.

Números da leitura

As cinco edições do Filig já impactaram cerca de 10 mil pessoas. Mais de 30 convidados, incluindo escritores e ilustradores internacionais, nacionais e locais, já participaram das atividades literárias e culturais que, somadas, totalizam mais de 200 horas. E não fica por aí: as ações do festival chegaram a 72 escolas públicas da região, com oito mil livros doados, 12 ciclos de formação, com oficinas diversas que beneficiaram cerca de 300 profissionais de Garanhuns.

Se os números impressionam, os resultados práticos não ficam para trás. Segundo a professora Verônica Alves, da rede municipal de ensino infantil, o festival tem cumprido o objetivo de incentivar a leitura na cidade. “O Filig realmente veio dar uma ênfase maior para o incentivo à leitura, a gente fica esperando o ano todo para participar. Acho que não tem uma criança, nós temos mais de 20 mil alunos em Garanhuns, que não conheça o Festival, que não tenha ouvido falar dele”, comenta ela.

Em 2019, o tema do festival foi “Africanidades: um mundo de histórias e memórias”, quando foi abordada a literatura africana. A professora conta que o tema foi de extrema relevância para abordar o assunto em uma escola localizada em comunidade quilombola. “As oficinas foram todas voltadas para esse tema, para as matrizes africanas, para a questão do racismo, para o respeito. Nas atividades, eles puderam ver além da comunidade, puderam ouvir palestrantes dizendo que já tinham passado por situações de racismo, como tinham superado. Então eles voltaram mais orgulhosos, as meninas querendo cada vez mais se reconhecerem belas com as características negras. Então, foi bem legal neste aspecto”.

Para 2020, a curadoria escolheu como tema os clássicos da literatura mundial, com o mote “Muito além das fadas”.

Incentivo fiscal

Para realizar um evento aprovado pela Secretaria Especial da Cultura, o proponente do projeto precisa captar recursos junto à iniciativa privada. No caso do festival de Garanhuns, esse apoio foi garantido desde a concepção. Isso porque, segundo Camila Bandeira, a realização do festival partiu da própria empresa patrocinadora, a Ferreira Costa – que investe no ramo de casa e construção. “A ideia do projeto surgiu da empresa que, por ser de Garanhuns, tinha esse desejo de deixar um legado para a cidade. Ela já fazia ações pontuais como reformas de bibliotecas, doação de acervos, sempre na área da leitura que, eles entendem, é capaz de criar um legado consistente, sólido, que gera transformação de verdade. Então eles decidiram canalizar todo esse esforço, essa energia, num projeto maior, continuado; e assim nasceu o Filig”, diz ela.

A organização do evento reforça, portanto, que a legislação é de extrema importância para a existência e a continuidade do Filig. “A utilização do incentivo fiscal, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, é fundamental para a realização do Filig. A única fonte realmente de recursos financeiros é o patrocínio através da legislação”, conclui Bandeira.

A Lei Federal de Incentivo à Cultura contribui para ampliar o acesso dos cidadãos à cultura, uma vez que os projetos patrocinados precisam oferecer atividades de ensino, capacitação e formação. Ou seja, eles devem promover atividades como oficinas, workshops e palestras, com o objetivo de ampliar ainda mais suas ações, até mesmo para que possam ser replicadas.

Por meio do mecanismo, criado em 1991 pela Lei 8.313, empresas e pessoas físicas podem patrocinar espetáculos, exposições, shows, livros e várias outras formas de expressão cultural. O valor investido, total ou parcial, é abatido do Imposto de Renda do patrocinador.

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura


Fonte: Cultura