Uma artista em consonância com seu tempo e sem medo de se expor. Mais Do Que os Olhos Podem Ver, disco de estreia de Jade Baraldo, prova que ela tem bastante coisa para nos falar através de suas composições e não tem receio de se entregar assim.

Combinando beats eletrônicos e acordes de MPB com suas letras confessionais, Jade cria uma sonoridade única que flerta simultaneamente com o experimental e o pop chiclete.

Um dos pontos altos do trabalho são as temáticas atuais que aborda. Relacionamento abusivo, opressão contra as mulheres, raiva, desejo e sensualidade surgem de uma forma muito natural em uma jornada completa de uma quase crônica de uma relação terminada.

Conversamos com Jade Baraldo para entender um pouco mais do que os olhos podem ver e você pode conferir esse papo na íntegra!

TMDQA!: Você ficou bem conhecida com “Braza”, lançada em 2017. Como você vê a Jade daquela época e a Jade de “Perigo”, seu novo single?

Jade Baraldo: Eu acho que a Jade de “Perigo” é muito mais consciente, muito mais madura e com muito mais propriedade para falar das coisas que ela fala hoje em dia.

TMDQA!: O seu novo disco demorou para ser produzido. Como foi o processo de gravação e produção dele?

Jade: O álbum foi construído em um ano, comecei a fazer ele em janeiro. Não eram todas as músicas que estavam prontas, algumas delas só apareceram no meio do processo.

TMDQA!: E como esse amadurecimento que você citou aparece no trabalho?

Jade: As letras que eu escrevo são sobre vivências. Acho que a Jade de hoje está muito mais clara, sem muitas amarras.

TMDQA!: Aproveitando esse gancho, me fala um pouco sobre o conceito de Mais Que Os Olhos Podem Ver. Quando você pensou no disco, pensou nele como um todo, em uma história completa?

Jade: Como as músicas saíram na mesma época, elas tem uma unidade que fala sobre as coisas que eu estava sentindo. Num todo, ele fala sobre relacionamentos e as fases de um relacionamento. No começo tudo é muito bonito, tudo é muito legal, aquela fase da atração. Depois, você pode se surpreender com uma pessoa boa ou ruim, no meu caso escrevi música sobre uma experiência ruim. Na parte do interlúdio até o final, que é quando as coisas começam a ficar estranhas e a sonoridade também, eu queria passar esse desconforto, essa coisa de nóia. Eu queria que as pessoas sentissem isso e é uma coisa que condiz com as letras e as melodias. Eu não pensei: ‘Ah, eu vou dizer isso e isso para as pessoas pensarem isso’. Na verdade só fui acrescentando lá, porque elas já nasceram prontas e eu fui aprimorando e polindo.

TMDQA!: Ouvindo o trabalho dá para perceber que ele é bem confessional mesmo. Como é essa experiência de compartilhar com o público algo tão íntimo?

Jade: Sinceramente, eu acho muito libertador porque as pessoas se identificam. Às vezes a gente se sente tão sozinho e, por falta de falar, ficamos nessa redoma. Talvez se a gente falasse mais nos sentíssemos mais acolhidos. Eu uso a minha arte como essa forma de expressão. Então, acho válido apoiar esse tipo de expressão tão genuína. Claro, é muito doloroso falar sobre essas coisas que machucam, mas ao mesmo tempo é libertador porque acaba sendo uma terapia mesmo.

TMDQA!: Falando sobre a sonoridade, ela é bastante experimental. Não é o pop pronto o tempo inteiro. Como aconteceram essas escolhas?

Jade Baraldo: Eu gosto de escutar umas coisas bem diferentes, ao mesmo tempo que gosto de ouvir música pop. Gosto de me surpreender com as coisas que escuto e que vejo. Curto muito a Sevdaliza, que é uma artista que acho sensacional. Ela é iraniana mas faz música em inglês e tem uma sonoridade bem diferente. Tem a Banks, ela é bem R&B e tem um som bem experimental. Então, eu gosto de ficar brincando com essas coisas e me surpreender. Porém, também gosto daquele pop chiclete e tento fazer essa mistura dos dois. Os refrões eles são meio chiclete e diferentes e é algo que sai naturalmente. É uma mistura que já tá no inconsciente e é o que quero fazer.

TMDQA!: Hoje é muito comum o lance da colaboração entre artistas nos álbuns. No seu, isso não acontece. Isso foi uma escolha ou foi algo que acabou não rolando?

Jade: Foi um pouco dos dois. Eu sondei o Criolo, só que ele estava muito ocupado e é todo no mundo dele, então a gente se perdeu um pouco na comunicação. Cheguei a mandar uma música para ele, mas foi bem no começo do processo de gravação, ela não estava nem pronta. A única pessoa que eu acho que cabia uma participação nesse álbum era o Criolo.

TMDQA!: E se você pudesse escolher uma participação no disco, quem seria?

Jade: Outra pessoa que pensei, mas isso foi bem no finalzinho da gravação, foi a Gabi Melim em ‘jardim’. Eu acho que é a cara dela, mas como foi bem no final eu nem mandei e assumi que seria só eu, bem autossuficiente. Aloca (risos).

TMDQA!: Sobre o vídeo de ‘Perigo’, é bem provocativo e você está poderosíssima no vídeo, bem Rihanna em ‘Bitch Better Have My Money’. Como surgiu a ideia do clipe?

Jade: A letra fala sobre uma coisa e quando vem o clipe as pessoas tem outra interpretação. E eu queria causar esse distúrbio na cabeça das pessoas para elas verem como a música pode mudar. Então eu quis fazer isso e também aproveitei para fazer esse gancho e falar sobre o tema de relacionamento abusivo. Talvez Freud explique isso de querer matar o ex no videoclipe para você se sentir aliviada (risos). Daí eu pensei nessa história de querer uma vingança, já que na vida real não podemos pelo menos vamos fazer no vídeo (risos).

TMDQA!: O Rock in Rio é um evento enorme e você vai fazer show lá. Como está a preparação e o que podemos esperar?

Jade: Cara, eu estou muito ansiosa e já tô trabalhando nisso. Inclusive estou indo ao ensaio agora. Vai ter muita dança com os meus bailarinos, vai ser um show completamente novo e com uma outra estética. Para ser bem sincera, acho que vou ser muito mais eu. Enfim, eu só quero cantar minhas músicas com todo o coração que tenho e todo o sentimento que conseguir passar. Quero tocar as pessoas com as minhas músicas. Claro que com toda uma estética bonita, né (risos). Eu sou libriana e tenho umas coisas de virgem também, então sou detalhista. Mas o principal é que as pessoas realmente se sintam acolhidas pela música e se identifiquem. Essa é minha única preocupação.

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Fonte: r7 Music