Cantora mergulha em repertório para contar parte da trajetória pessoal

Cantora mergulha em repertório para contar parte da trajetória pessoal
Marcos Hermes/Divulgação

Elza Soares lança nesta sexta-feira (13) o álbum Planeta Fome, 34º da carreira. Com 12 faixas, entre inéditas e regravações de sucesso como Comportamento Geral (Gonzaguinha) e Não Recomendado (Caio Prado), a cantora mergulha e se apropia das narrativas para contar a própria história — inclusive o período em que enfrentou a fome de perto. 

Libertação, composição de Russo Passapusso e que contou com produção do grupo BaianaSystem, abre o disco. A música, gravada na Bahia e no Rio de Janeiro, tem ainda as participações da cantora Virginia Rodrigues e arranjos de Letieres Leite. 

‘Planeta Fome’ 

Elza atualiza questões abordadas ao longo da carreira, como machismo e racismo, e, ao longo das faixas, apresenta o resultado da elaboração pessoal de assuntos que conhece bem de perto. 

O repertório do novo projeto foi cuidadosamente escolhido por Elza. Uma das maiores preocuções da cantora era encontrar canções que ajudassem a contar trechos da própria trajetória, mas que fizessem sentido ao mundo de hoje.

Capa foi ilustrada por Laerte Coutinho

Capa foi ilustrada por Laerte Coutinho
Divulgação/Laerte Coutinho

Planeta Fome, álbum produzido por Rafael Ramos, conta, pela primeira vez na carreira da cantora, com uma música autoral. Menino, escrita anos atrás, é um relato de uma briga entre garotos presenciada por ela. “Quando gravei Brasis nesse disco, que o repertório é tão meu, tão pessoal, tive a ideia de registrar”, conta.

Orkestra Rumpilezz, BNegão, Pedro Loureiro e Rafael Mike também integram o time de participações especiais. As fotos selecionadas para o encarte criam uma referência à primeira apresentação da artista. A capa, ilustrada pela cartunista Laerte Coutinho, dá forma a diversas fomes que atingem o mundo.

Álbuns aclamados

Escolhida a ‘melhor cantora do milênio’ pela BBC Londres, a estrela brasileira vem de uma sequência de dois álbuns de sucesso. A Mulher do Fim do Mundo (2015) e Deus é Mulher (2018) marcam um período de canções repletas de críticas sociais. 

Álbum aborda questões como racismo, morte e violência contra a mulher

Álbum aborda questões como racismo, morte e violência contra a mulher
Reprodução/A Mulher do Fim do Mundo

A Mulher do Fim do Mundo, aclamado pela crítica, explora as temáticas relacionadas as questões raciais e a violência contra as mulheres. Considerado o Melhor Álbum pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), em 2015.

Cerca de três anos depois, Deus é Mulher, complementou ainda temas que permanecem atuais no Brasil: a corrupção, intolerância religiosa e o machismo

Mãe aos 13 anos e viúva aos 21, Elza enfrentaria também o drama de perder três, dos sete filhos. Vítima de violência doméstica e uma história marcada por episódios difíceis, a cantora transformou todas as dores em matéria-prima de uma carreira marcada pela coragem e permanece ativa, mesmo com as limitações físicas de saúde e da idade.

Veja também: Elza Soares diz que começou a cantar para que filho não morresse


Fonte: r7 Music