Gravação da minissérie Arcanjo Renegado. Foto: Divulgação

As oportunidades oferecidas a quem nasce e cresce em comunidades vulneráveis são aproveitadas em todo o seu potencial. Foi assim com o ator Casanova, que interpreta um vilão na minissérie audiovisual Arcanjo Renegado. Após entrar em contato com o universo da cultura por meio da organização não governamental Afroreggae, que utiliza a arte e a cultura como ferramenta de transformação social, ele chegou a trabalhar na organização, oferecendo oportunidades a outros jovens, antes de investir na carreira de ator.

Segundo Casanova, cidadãos que moram em favelas, por exemplo, são buscadores de novas perspectivas de vida, com o foco em melhores condições sociais. “Noventa e nove por cento das pessoas que moram ali dentro são pessoas de bem. Então, a cultura que é levada ali dentro, seja uma biblioteca, um cinema, alguma coisa que leve algum tipo de perspectiva para essas pessoas, eu tenho certeza absoluta que elas vão agarrar com unhas e dentes aquilo ali. Quando alguém se propõe a fazer um trabalho desses, é maravilhoso e os resultados também são”, afirma.

Por meio da Lei de Incentivo à Cultura, o Afroreggae já captou mais de R$ 5 milhões para a realização de projetos que tem a missão de reduzir as desigualdades e combater o preconceito. Um dos setores que apresenta maior crescimento na área cultural, o audiovisual é rico em possibilidades, principalmente para a população mais jovem, que cresceu ligada a esta linguagem. Assim, trabalhar em produções de cinema ou série, seja nos bastidores ou na frente das telas é, cada vez mais, uma opção possível. Isso devido à multiplicação e facilitação do acesso à produção desse conteúdo.

O secretário do Audiovisual do Ministério da Cidadania, Ricardo Rihan, lembra que o setor atende os mais diversos interesses. “A cultura, a arte e o esporte oferecem, aos jovens, oportunidades importantes de desenvolvimento tanto físico, quanto intelectual. E, ao mesmo tempo, oferece caminhos de formação que podem se transformar em carreiras muito importantes”, afirma. “O audiovisual oferece diferentes oportunidades de carreira, seja na fotografia, seja na música, seja na direção, seja na atuação, seja em áreas técnicas. Tem possibilidades de carreira para todos os gostos”, conclui.

Mercado diversificado

Casanova acredita na importância do audiovisual para ampliar as perspectivas de vida dos cidadãos da favela. Foto: Acervo pessoal

Segundo estudo realizado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), que mapeou o perfil empregatício do setor audiovisual entre 2007 e 2015, 57% das vagas são ocupadas por pessoas que possuem ensino fundamental ou médio completo. O mesmo estudo ainda mostra que, em 2015, a remuneração média do setor, considerando as diferentes atividades, era de R$ 3.650, 49% acima da média da economia brasileira à época.

Um dos equipamentos vinculados ao Ministério da Cidadania que trabalham pela formação no setor é o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), localizado no Rio de Janeiro. Para se ter uma ideia, só no primeiro semestre de 2019, foram oferecidas 15 oficinas e workshops gratuitos, com temas como animação, iluminação, montagem, mixagem e roteiro. Como a área é muito dinâmica e as atividades são complementares, o jovem pode começar com uma função e, ao longo do tempo, agregar outras. “Se você tem o dom de escrever bem, o dom de fotografar, se você tem o dom de atuar bem, todos encontram espaço no audiovisual”, reforça Ricardo Rihan.

Atualmente, o CTAv está apoiando o Festival MultiRio 2019 Web + Games. Uma iniciativa da Empresa Municipal de Multimeios (MultiRio), ligada à Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, o festival tem o objetivo de fazer um panorama da produção audiovisual realizada por alunos e professores da rede municipal de educação do Rio de Janeiro, a maior do País. Os vencedores do concurso poderão participar de oficinas de capacitação no CTAv.

Sobre a Lei Federal de Incentivo à Cultura

Principal ferramenta de fomento à Cultura do Brasil, a Lei Federal de Incentivo à Cultura contribui para que milhares de projetos culturais sejam realizados, anualmente, em todas as regiões do País. Por meio dela, empresas e pessoas físicas podem patrocinar espetáculos, exposições, shows, livros, museus, galerias e várias outras formas de expressão cultural. O valor investido, total ou parcial, é abatido do Imposto de Renda.

A Lei também contribui para ampliar o acesso dos cidadãos à cultura, já que os projetos patrocinados são obrigados a oferecer uma contrapartida social, ou seja, eles têm que distribuir parte dos ingressos gratuitamente e promover ações de formação e capacitação junto às comunidades. Criado em 1991 pela Lei 8.313, o mecanismo é um dos pilares do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac).

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania


Fonte: Cultura