image_pdfSalve em PDF

A poluição sonora é um dos problemas ambientais mais graves dos centros urbanos. Exibe um potencial, relativamente grande, de causar danos ao homem e meio ambiente. A nocividade do ruído ou som está diretamente relacionada ao seu espectro de frequências, à intensidade da pressão sonora, ao tempo de exposição diária, bem como a suscetibilidade individual, características ambientais e ecossistemas. Embora exista legislação específica que regula os limites de emissão de ruídos e estabeleça medidas de proteção, o que se constata é que os níveis de ruído, existentes nas mais diversas atividades cotidianas, estão acima de todos os valores determinados pelas legislações, tanto a nível nacional como internacional.

A poluição sonora é hoje, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), depois da poluição do ar e da água, o problema ambiental que afeta o maior número de pessoas. É relatado o aumento do incômodo devido ao ruído e o prejuízo que isto tem causado ao homem no seu ambiente laboral e/ou ambiental.

QUANDO É SOM, RUÍDO OU VIBRAÇÃO

Através do tato é possível sentir a oscilação de uma corda de violão, intuitivamente sabe-se que é uma vibração, pois está vibrando e vê-se o seu movimento. Contudo, nem sempre se pode perceber o movimento através do tato. Por exemplo, o ar ao redor da corda também se movimenta, e o tato nada nos indica apesar de as duas oscilações serem semelhantes.

Assim, se a oscilação for detectável pelo tato, ela é chamada de vibração, se for detectável pelo sistema auditivo, é chamada de som, ou vibração sonora, sendo o sistema auditivo uma evolução do tato.

É frequente o uso do termo som e ruídos como sinônimos, apesar de que “som” seja um termo aplicado às frequências sonoras constantes percebidas pelo ouvido interno humano como agradável, emitidas, por exemplo, pela música. “Ruído” seria uma definição aplicada a qualquer frequência que implique em percepção de som indesejável que cause incômodo, como buzinas, máquinas e gritos.

O som, do ponto de vista da física, consiste em um fenômeno ondulatório transmitido por vibrações através de um meio elástico, sólido, liquido ou gasoso.

Com base nessas definições se pode dizer que o som ou ruído se caracteriza por flutuações de pressão em um meio compreensível. Mas nem todas as flutuações podem ser percebidas pelo ouvido humano, sendo que existe um limite de frequências que o homem é capaz de perceber.

GRANDEZAS SONORAS

O organismo humano é sujeito aos efeitos das vibrações, quando elas apresentam valores específicos de amplitude que dependem da grandeza a ser considerada e da frequência. No caso das vibrações as grandezas são: o deslocamento, a velocidade e a aceleração. No caso das vibrações sonoras é a pressão.

Grandezas variáveis e termos cujas definições são importantes no processo de reconhecimento, avaliação e controle das variações são: frequência, comprimento de onda, período, amplitude, pressão sonora e reverberação.

FONTES DE POLUIÇÃO SONORA

São diversos os exemplos de fontes de poluição sonora, como: tráfego aéreo, ferroviário e rodoviário, construção civil, indústria, atividades de lazer, dentre outros.

O ruído de trafego rodoviário é um dos maiores contribuintes da poluição sonora urbana. Resulta da contribuição coletiva produzida por fontes individuais, como os veículos automotores (automóveis, caminhões, ônibus e motos), que varia dependendo do tipo e do modo de operações dessas fontes.

Os automóveis têm grande contribuição na emissão do ruído geral de tráfego devido ao elevado número de circulação, apesar do ruído gerado ser menor do que a maioria dos outros grupos de veículos (aeronaves, trens, navios). Nos grandes centros urbanos brasileiros esta situação é evidente e provavelmente deve ser agravada em função da predominância desse sistema de transporte sobre os demais, e da idade de composição da frota, apesar da sua crescente renovação.

Os caminhões são geralmente movidos por motores a diesel, embora os de gasolina também estejam presentes. Uma característica que os distingue é o processo de combustão, fazendo com que os caminhões movidos a diesel tenham maior flutuação de pressão nos cilindros, resultando em um nível de ruído maior. Outra característica é que esses tipos de caminhões chegam a velocidades médias menores do que os movidos a motores de combustão de gasolina, o que determina uma contribuição maior na emissão de ruídos de baixa frequência.

No Brasil os ônibus são montados sobre chassis de caminhões, fazendo com que sejam tão ruidosos quanto os caminhões.

As motocicletas emitem níveis de ruídos que variam em função das classes desses veículos. As mudanças nos projetos de motocicletas, ao longo dos últimos anos, resultaram em um amplo número de motores com a mesma média de potência do veículo.

Os ruídos emitidos pelos veículos motores rodoviários dependem dos seguintes fatores:

  • Tipo e classe do veículo;
  • Condições mecânicas em serviço;
  • Modo operacional (Velocidade constante, aceleração, desaceleração, utilização das marchas, etc.);
  • Revestimento das vias;
  • Tipo de pneu utilizado pelos veículos;
  • Gradiente da via;
  • Medidas de controle de ruídos (do próprio veículo) e;
  • Meio de propagação.

As outras fontes representam menores percentuais de emissão de ruídos.

MEDIÇÃO DE RUÍDO

Para caracterizar o espectro de uma onda sonora se fazem necessárias diversas medições, em frequências distintas, a fim de corrigir a curva resultante, que se assemelha ao funcionamento do sistema auditivo humano. Essa combinação de comprimentos de onda e frequências só pode ser medida, à percepção humana, através de filtros de correção, previamente instalados no aparelho de medição de pressão sonora (decibelímetro), que capta o ruído, diminuindo e anulando determinadas frequências e comprimentos de onda (desprezíveis ou que sejam incapazes de serem ouvidos), convertendo-o à sensibilidade humana, tendo como resultado um valor invariante, demostrado em decibel (dA).

Os filtros se utilizam de curvas de referência, denominadas curvas de avaliação de ruído, que podem ser compreendidas como uma adequação de todos os ruídos de um determinado ambiente para a capacidade humana de ouvir.

O ruído medido pode ser classificado, de acordo com a fonte emissora, em: exteriores e interiores, que representam, respectivamente, os ruídos oriundos e gerados na atmosfera, como por exemplo, trovões, tráfego de veículos, maquinários de construção civil, aparelhos de som ao ar livre, e os ruídos perceptíveis no interior de prédios e residências que tem como fonte emissora aparelhos e/ou maquinas ligados ao ambiente interno, como também a ação das próprias pessoas ao falar, andar ou de interagir com o ambiente.

INTERAÇÃO DO RUÍDO COM OS MATERIAIS

Ao se dissipar pelo ambiente o ruído está sujeito a diversas modificações, que dependem da composição estrutural, direção do ruído, fonte emissora do ruído e da composição química e física dos materiais que estiverem na trajetória das ondas. Os principais fenômenos incidentes ao ruído são: reflexão, reverberação, absorção do ruído, transmissão do ruído, isolamento acústico, difração, mascaramento e ondas estacionárias.

PERCEPÇÃO DO SOM PELO OUVIDO HUMANO

O ouvido é o órgão decodificador dos estímulos externos ao ouvido, transformando as vibrações em impulsos sonoros para o cérebro. É, sem dúvida, a estrutura mecânica mais sensível do corpo humano, pois detecta quantidades mínimas de energia vibratória. O ouvido é dividido em três partes: ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno.

Figura – Ouvido externo, médio e interno

estrutura

As ondas sonoras percorrem o ouvido externo chegando ao tímpano, provocando vibrações que são direcionadas para os três ossos do ouvido médio, que trabalham como uma série de alavancas, portanto o ouvido médio atua como um amplificador.

As vibrações da janela oval geram ondas de pressão que se propagam até a cóclea, e vagam ao longo do tubo superior. Neste processo, as paredes finas da cóclea vibram, e as ondas passam para o tubo central e depois para o tubo inferior até a janela redonda.

As vibrações das membranas Basal e Tectória, em sentidos opostos, estimulam as células a produzirem sinais elétricos. As ondas percorrem distâncias diferentes ao longo da cóclea, com vários tempos de atraso, dependendo da frequência. Isto permite ao ouvido distinguir as frequências do som, origem e direção.

EFEITOS DO RUÍDO NA SAÚDE

É importante aclarar que a poluição sonora não é, ao contrário do que pode parecer numa primeira análise, um mero problema de desconforto acústico. Trata-se de fato comprovado pela ciência médica os malefícios que o ruído causa à saúde. Os ruídos excessivos e/ou constantes provocam perturbação da saúde mental e física.

Além do que, poluição sonora ofende o meio ambiente e, consequentemente afeta o interesse difuso e coletivo, à medida que os níveis excessivos de sons e ruídos possam corromper a qualidade de vida, na relação entre as pessoas, sobretudo quando acima dos limites suportáveis pelo ouvido humano ou prejudiciais ao repouso noturno e ao sossego público, em especial nos centros urbanos.

Os especialistas da área da saúde auditiva informam que a perda completa ou parcial da audição é só uma das consequências. Os ruídos são responsáveis por inúmeros outros problemas como a redução da capacidade de comunicação e de memorização, comprometimento da audição e do sono, envelhecimento prematuro, distúrbios neurológicos, cardíacos, circulatórios e gástricos. Várias de suas consequências perniciosas são produzidas inclusive, de modo sorrateiro, sem que a própria vítima perceba.

O resultado mais pertinente da poluição sonora ocorre em níveis moderados de ruídos, pois são suportáveis a primeiro momento causando lentamente estresse, distúrbios físicos, mentais e psicológicos, insônia e problemas auditivos. Além disso, sintomas secundários aparecem: aumento da pressão arterial, paralisação do estômago e intestino, má irrigação da pele e até mesmo impotência sexual.

Desta forma pode-se facilmente perceber que a emissão de ruídos é um problema de saúde ambiental, que tem uma contribuição significativa para a decadência da qualidade de vida e, consequentemente para a insustentabilidade urbana.

MEDIDAS DE CONTROLE DE RUÍDO

As estratégias de controle de ruído devem ter por objetivo reduzir o ruído existente a níveis aceitáveis, que não causem danos ao ser humano e ao meio ambiente. Tal ação envolve a aplicação de medidas para reduzir o nível de ruído gerado por uma fonte, ou transmitido pelo ar, ou através da estrutura onde está a fonte sonora. Essas medidas podem conter modificações em maquinários, nas operações das máquinas e na distribuição estrutural dos ambientes de trabalho.

As medidas de controle de ruído devem ser abordadas em três níveis: controle na fonte, controle na trajetória e, quando os dois controles anteriores não apresentam reduções apreciáveis, controle no receptor do ruído.

O controle na fonte é realizado através de novos projetos, manutenção, isolamento de estrutura, redução da área da superfície vibrante, ajustes.

O controle na trajetória é feito através de isolamento total ou parcial, revestimentos acústicos, barreiras, estruturas que desviem e/ou absorvam ruídos, etc.

O controle no receptor (pessoa) é feito com o uso de protetores auriculares, que podem ser de modelo concha, ou de inserção. Outros meios de controle no receptor são: treinamento, educação (sensibilização) e redução do tempo de exposição.

Além do controle físico de ruídos, pode-se controla-lo a partir de legislação aplicável, que estabeleçam limites de velocidades, potência de som e uso de buzinas.

CONSIDERAÇÕES

A poluição sonora, por meio de ruídos, e até mesmo sons, é causa de inúmeros problemas de saúde e de descaraterização ambiental, pois o excesso de ruídos pode deixar o ambiente pouco atrativo para visitas e até mesmo impróprio, além de provocar o afugentamento de animais nativos.

A poluição sonora está presente no dia-a-dia, no ambiente de trabalho e/ou em casa, e parece impossível de evitar a exposição a ela. Porém algumas medidas podem minimizar seus efeitos, como: ouvir música em baixa potência, evitar lugares com sons muito altos, dirigir com os vidros fechados (evitando o ruído advindo do tráfego) e no trabalho buscar estratégias junto à administração para mitigar a emissão de ruídos.

Todo esforço é válido para garantir a saúde, o bem-estar e a qualidade ambiental.